quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Rang Rasiya (2014)


Chegamos a um filme que legendei recentemente. Trabalho inesperado, pois não é o tipo de obra pela qual costumo me interessar, mas, se havia gente interessada, por que não? Aliás, o link para assisti-lo está aqui.

Rang Rasiya (tradução da Wikipedia: Cores da Paixão) é do mesmo diretor de Mangal Pandey - The Rising, um filme de 2005 estrelando Aamir Khan, Rani Mukerji e Amisha Patel. Confesso que me animei mais para assisti-lo sabendo disso, já que Mangal foi o segundo filme indiano da minha vida e guardo um carinho muito grande por ele. É facilmente reconhecível a semelhança nos cenários de época e nos estrangeiros arranhando um Hindi mal pronunciado.

O filme conta a história de Raja Ravi Varma, protagonizado por Randeep Hooda, um artista impetuoso, mimado e visionário. De começo, vemos que ele é acusado na corte de lesar o patrimônio histórico indiano e a religiosidade de várias pessoas, por ter retratado deuses e deusas hindus de maneira insinuadora em seus quadros. A partir disso, temos uma série de flashbacks sobre a vida de Ravi e o que realmente o levou a estar ali.

Ravi Varma não é um personagem fácil de se simpatizar. Ele é extremamente temperamental, dado a rompantes de mau humor que respingam e atingem a todos a seu redor. Arrisco-me a dizer que o único motivo pelo qual ele é procurado e aclamado boa parte do filme é pela qualidade de sua arte e suas boas ideias. Apesar de, ao longo da história, haver uma transformação no personagem, que torna-se mais dócil e calejado face às adversidades que se deram quanto a pessoas e coisas que amava. O filme nos leva a apreciar o nosso caro rang rasiya.

Persegue a moça e se ofende por ela não gostar da atitude:
esse é Raja Ravi Varma.

As obras desse diretor têm toques de sensibilidade quanto a causas femininas. Percebem-se nuances que tentam mostrar a condição da mulher indiana no tempo retratado. Em Rang Rasiya, esses detalhes se personificam em Sugandha, que é o envolvimento amoroso de Ravi Varma e musa inspiradora de diversas obras. Ao contrário do que parece pelos pôsteres e imagens de divulgação do filme, não a considero uma protagonista. Apesar do relacionamento entre os dois e ter sido vital para o desenvolvimento da história, por diversas vezes a personagem é deixada de lado, quiçá esquecida, para retratar tão e somente a vida do pintor. No entanto, Nandana Sen consegue deixar uma impressão de leveza e doçura e é capaz de nos tocar em sua condição de mulher indiana do século XIX.

A expressão de Randeep traduz a de todos nós ao assistir.

Surpreendentemente!, o filme contém uma cena de nudez que, aos olhos de qualquer fã acostumado com o cinema indiano, torna-se explícita, inesperada e deliciosa, protagonizada pela lindíssima Sugandha. Definitivamente, foi um ponto ousado para atriz e diretor, mas muito de meu agrado. Vá, cinema indiano, você consegue, uma hora chega lá!

Se há um ponto negativo no filme a ser ressaltado, definitivamente é a trilha sonora. Como em Kabhi Khushi Kabhie Gham, Sandesh Shandilya deixa sua marca através de uma música-tema repetitiva que ressoa o tempo todo ao longo do filme, desta vez entoada por Sunidhi Chauhan e Keerthi Sagathia. As outras poucas músicas que existem no filme não têm forma ou rima, tornando-se cansativas e nada marcantes. Para quem assistiu a tudo ávida por encontrar traços de Mangal Pandey, que apesar de tudo é um bom musical (Main Vari Vari, lembram-se?), foi bem decepcionante.

Senhor, que música chata.

Como todo filme histórico a que assisto, gosto de ver até que ponto a história foi baseada em fatos reais. Rang Rasiya é quase um retrato livre da vida do pintor, uma vez que a vida real que Raja Ravi Varma teve parece-nos bem diferente do que vemos no filme. Ravi casou-se e teve filhos na vida real, por exemplo. Seu irmão foi mais que um mero seguidor e uma sombra, tendo também suas próprias obras e reconhecimento - o que o filme tenta deixar subentendido mais para o final. Sugandha, como disse no post anterior, provavelmente não existiu. Varma também parecia ser de personalidade agradável, definitivamente mais afável que o tempestuoso homem interpretado por Ranveer.

O bigode é idêntico.

É claro, pois, que não posso esperar total fidelidade de uma obra meramente baseada em fatos reais. O filme não entrará para o rol dos meus queridos do coração, como Mangal Pandey fez, mas cumpre seu papel. Afinal, o dever do filme é conquistar-nos pela magia do seu universo particular. E isso, creio eu, é o que Rang Rasiya alcança com perfeição para muitos que o assistirem.

3 comentários:

  1. Acho Mangal Pandey muito chato, o que acabou de diminuir bruscamente meu interesse pelo filme.

    Pelo que você falou, muito provavelmente o roteiro do filme quis trazer aquela velha ideia do artista difícil, que vive à frente do seu tempo e é um inconformado. Suprimiram toda a vida de marido e pai de família do homem só para manter a vibe artística, rs

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    1. Mangal Pandey foi o segundo filme indiano a que assisti na vida! E, por na época ser DVD e eu poder alugá-lo, assisti e reassisti milhões de vezes. Não queria nem saber da história, o fazia pelo musical, pela beleza da Rani Mukerji e pela história de amor da Amisha Patel! Tenho lembranças lindas desse filme, então acabei traçando um paralelo entre os dois o tempo inteiro.

      E, sim, quis mesmo. A história dele com a esposa resumiu-se em: casou, brigou, transou com meio mundo em orgias e festas e depois foi embora pra cidade grande. E há a Sugandha, é claro.

      Mas veja o filme, só porque eu legendei, tá?

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    2. P.s.: fiquei mortalmente chocada ao saber que o pintor até mesmo retratou AS FILHAS em quadros, porque pra mim ele era um devasso sem moral nenhuma.

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